sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012

Entamoeba coli e Entamoeba histolytica

Entamoeba coli e Entamoeba histolytica são parasitas unicelares que vivem no intestino grosso de humanos e animais. A E. histolytica existe sob duas formas durante o seu ciclo de vida: forma vegetativa (trofozoíto) e a forma quística (quistozoíto).
A transmissão directa ocorre através do contacto com fezes infectadas. É mais provável que a amibose se propague entre os que vivem em condições de higiene precárias do que entre aqueles que não vivem desse modo; também se torna mais provável o seu contágio por contacto sexual desprotegido. A transmissão indirecta dos quistos é mais frequente nas zonas com más condições sanitárias, como os campos de trabalho, e em geral nos países em desenvolvimento com climas bastante quentes e húmidos. As frutas e verduras podem contaminar-se quando crescem em terra fertilizada com adubo humano ou quando são lavadas com água contaminada.

Ciclo de Vida

O ciclo de vida de Entamoeba coli e Entamoeba histolytica divide-se em ciclo biológico e ciclo patogénico.
O ciclo biológico é do tipo monoxeno e inicia-se pela ingestão de quistos maduros. Estes passam pelo estômago e como são resistentes à acção dos sucos gástricos, passam pelo intestino delgado chegando ao início do intestino grosso onde ocorre o desenquistamento, com saída do metaquisto. Em seguida o metaquisto sofre sucessivas divisões mitóticas, dando origem aos trofozoítos. Estes migram para o intestino grosso e colonizam a mucosa intestinal e ai vivem como comensais. Através de sucessivas divisões transformam-se em quistos que são eliminados nas fezes.
O ciclo patogénico ocorre quando os trofozoítos invadem a submucosa intestinal, formando úlceras onde se multiplicam activamente, de tal forma que podem romper a parede e, através da circulação portal, atingir outros órgãos como o fígado, e posteriormente o rim, cérebro, pulmão e/ou pele. O trofozoíto encontrado nestas úlceras está na forma invasiva ou patogénica, estes são extremamente activos e hematófagos.


A Amibose é a infecção do homem com ou sem manifestação clínica, aparecendo sobretudo em zonas tropicais, de clima quente e húmido e com poucas condições de higiene. É estritamente humana e está ligada ao perigo fecal, provocando principalmente distúrbios intestinais e hepáticos.
Sabe-se que a evolução da patologia ocorre por invasão dos tecidos pelos trofozoítos. E. histolytica tem um efeito letal sobre a célula e para isso necessita de uma forte adesão ao epitélio. Esta adesão é mediada por lectinas e culmina em fagocitose, os movimentos amebóides e a produção de enzimas proteolíticas favorecem a progressão e destruição dos tecidos. Ao atingir a mucosa, os trofozoítos, multiplicam-se e prosseguem o processo de penetração nos tecidos sob a forma de úlceras. As amibas podem acabar por entrar na circulação enviando metásteses para outros órgãos.

Manifestações Clinicas
Sinais mais comuns: Diarreia, obstipação intermitentes, flatulência, dores abdominais, fezes com muco e sangue e febre.
Por vezes, os trofozoítos originam uma perfuração intestinal. A libertação do conteúdo intestinal para dentro da cavidade abdominal causa uma grande dor na zona agora infectada (peritonite), o que requer atenção cirúrgica imediata.
A invasão por parte dos trofozoítos do apêndice e do intestino que o rodeia pode provocar uma forma leve de apendicite. Durante a cirurgia da apendicite podem espalhar-se por todo o abdómen. Como consequência, a operação poderá ser atrasada de entre 48 a 72 horas com o objectivo de eliminar os trofozoítos mediante um tratamento com fármacos.
No fígado pode formar-se um abcesso cheio de trofozoítos. Os sintomas consistem em dor ou mal-estar na zona que se encontra acima do fígado, febre intermitente, suores, calafrios, náuseas, vómitos, fraqueza, perda de peso e, ocasionalmente, uma ligeira icterícia.
Em certos casos, os trofozoítos disseminam-se através da corrente sanguínea, causando infecção nos pulmões, no cérebro e noutros órgãos.
A pele também é, por vezes, infectada, especialmente em torno das nádegas e nos órgãos genitais.

Diagnóstico e Terapêutica
O exame de fezes detecta o parasita com alguma facilidade. A forma mais invasiva depende do que chamamos de exames de imagem (tomografia computadorizada, ecografia ou ressonância magnética). Algumas vezes para confirmação diagnóstica, além do exame de imagem, usam-se agulhas finas para puncionar os abscessos. Nas formas mais invasivas, quando o diagnóstico não for possível por identificação do quisto utiliza-se exames de sangue para a detecção da presença de anticorpos contra o parasita.
O fármaco mais utilizado é um antimicrobiano com nome de metronidazol, mas existem outros com uso recomendado para circunstâncias específicas. O tempo de tratamento pode variar conforme o comprometimento da pessoa. Às vezes, quando há a formação de abscessos hepáticos, pode ser necessário aspirá-los com agulha para diagnóstico ou tratamento, muito raramente estes casos irão a cirurgia.
O diagnóstico laboratorial de amibose intestinal faz-se com a recolha de, pelo menos, 3 amostras de fezes para detecção de quistos ou trofozoítos. É também feito teste serológico que dará positivo em caso de infecção a longo prazo. Pode-se também, caso necessário, recorrer-se a uma biopsia para análise do tecido intestinal.
A pesquisa de antigénios e anticorpos faz-se pelo método de ELISA e PCR.

Bibliografia
•Rey, L. 2005. Parasitologia. (3º Edição) Guanabara Koogan
•Neves, David Pereira; De Melo, A.L; Linardi, P.M; Vitor, R.W.A. 2004. Parasitologia Humana (11ª Edição). Atheneu.

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