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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Depressão - Terapêutica

Como já foi constatado na publicação anterior, a Depressão não se manifesta da mesma forma em todos os indíviduos. Desta forma, a objectividade no processo de estabelecimento de um diagnóstico complica-se e torna-se quase necessário um regime de “tentativa” para conseguir adaptar, ao doente, um plano terapêutico mais personalizado. Assim sendo, torna-se necessária a análise de inúmeros factores que tentam indicar o melhor caminho para a elaboração do plano terapêutico do doente.

A terapêutica anti-depressiva tem a sua base em vários grupos de fármacos, conforme o tipo de depressão com a qual se esteja a lidar ou conforme o tipo de sintomas que se queiram contrariar. Deste modo, podemos enunciar vários grupos como:
a. Os anti-psicóticos;
b. Hipnóticos;
c. Outros medicamentos com acção sobre perturbações afectivas.

As Perturbações Afectivas (que incluem a Doença Bipolar, a Depressão Major e as Depressões Reactivas – resultantes das condições de vida de cada um) representam o grande grupo responsável pela maior parte daquilo que é vulgarmente caracterizado como Depressão.

Numa tentativa de melhorar a qualidade de vida dos doentes e tentar reverter a situação de depressão, existem várias classes de fármacos com acção distinta, destacando-se:
a. Antidepressivos (que incluem os fármacos Tricíclicos, Heterocíclicos, Inibidores da Monoamina Oxidase (IMAO) e ainda
os SSRI (sigla inglesa para Inibidores Selectivos da Recaptação da Serotonina));
b. Anti-maníacos (Lítio).

No entanto, tendo em conta que, normalmente, a depressão tem sempre outros problemas associados, nomeadamente distúrbios de sono ou psicoses associadas, é frequente a administração concomitante de outras classes de fármacos como:
a. Anti-psicóticos;
b. Hipnóticos (dos quais se destacam as Benzodiazepinas, os Barbitúricos, os Anti-histamínicos e, ainda, os fármacos sedativo-hipnóticos).

Fármacos Tricíclicos e Heterocíclicos
Estes fármacos apenas diferem na sua estrutura química, sendo os fármacos heterocíclicos agrupados em fármacos de 2ª ou 3ª geração. Constituem, portanto, uma melhoria a nível terapêutico relativamente aos fármacos tricíclicos.
Os fármacos tri
cíclicos e os heterocíclicos de 2ª geração actuam, essencialmente, através do bloqueio da recaptação de noradrenalina e serotonina, aumentando assim os níveis de neurotransmissores junto aos receptores. Já os heterocíclicos de 3ª geração apresentam uma actividade antagonista dos receptores de serotonina 5-HT2A ou 5-HT2C. Estudos comprovam que doentes suicidas têm um número maior destes receptores no córtex frontal e que também têm um papel de destaque nos sintomas negativos da esquizofrenia, sendo por este motivo que os heterocíclicos de 3ª geração deverão ser os fármacos eleitos para distúrbios deste tipo, pois além de terem uma maior eficácia, são os que produzem menos efeitos adversos.
Como exemplos podemos destacar a Amitriptilina e a Imipramina como fármacos tricíclicos, a Amoxapina e a Trazodona como heterocíclicos de 2ª geração e a Mirtazepina, a Nefazodona e a Venfalaxina como heterocíclicos de 3ª geração.
Os fármacos tricíclicos, por serem os menos “desenvolvidos” no contexto terapêutico actual, são aqueles que podem induzir maior número de efeitos adversos, dos quais se podem destacar sonolência, obstipação, arritmias, aumento de peso, entre outros.

Inibidores da Monoamina Oxidase (IMAO)
Estes fármacos actuam pela inibição (reversível ou irreversível) de uma enzima responsável pela degradação de noradrenalina e serotonina nas terminações nervosas. Assim, produz-se um aumento dos níveis de neurotransmissores nas vesículas pré-sinápticas. Existem dois tipos de enzimas (MAO-A e MAO-B) para os quais os fármacos não são selectivos.
Quimicamente, estes fármacos dividem-se em hidrazidas, que têm uma acção irreversível, como a Fenelzina e a Isocarboxazida; e em não-hidrazidas, que têm uma acção não irreversível, mas prolongada, como é o caso da Tranilcipromina.
Como efeitos adversos, os IMAO podem induzir hipotensão postural, secura da boca, enxaquecas e aumento de peso.

Inibidores selectivos da Recaptação da Serotonina

Estes fármacos, como a Fluoxetina, a Paroxetina e a Sertralina têm a capacidade de in
ibir a recaptação da Serotonina pelos neurónios, fazendo aumentar os níveis deste neurotransmissor nas fendas sinápticas, disponibilizando uma maior quantidade de serotonina para ligação aos seus receptores, de forma a compensar o défice de serotonina que causam alguns dos sintomas da depressão. Apresentam a particularidade de terem baixa actividade sobre o Sistema Nervoso Autónomo.
Relativamente a efeitos adversos, podem induzir ansiedade, insónias, erupções cutâneas, redução da líbido e disfunção sexual.

Anti-maníacos: Lítio
O Lítio será, provavelmente, o fármaco mais usado em casos de depressão grave, sendo activo, especialmente, na fase maníaca da depressão. Actua por redução dos níveis de PIP2 (fosfatidilinositol bifosfatado) nas terminações nervosas, influenciando o metabolismo celular através da modificação dos fluxos de cálcio entre os vários compartimentos, modificando os potenciais de membrana e, consequentemente, a transmissão dos sinais eléctricos essenciais ao funcionamento do sistema nervoso.
Por ser um fármaco com baixo índice terapêutico, torna-se necessário um forte controlo, que pode incluir análises regulares para determinar os seus níveis séricos.
Pode induzir tremor, náuseas, vómitos, confusão, convulsões e insuficiência renal, conforme as concentrações presentes no organismo. Apresenta ainda a desvantagem de ser fetotóxico.

Anti-psicóticos/Hipnóticos
Estes fármacos são vulgarmente administrados de forma concomitante com antidepressivos, de forma a inverter alguns dos sintomas comuns nos vários tipos de depressão, especialmente os distúrbios de sono ou psicoses que possam, inclusivamente, estar na origem da depressão. Assim sendo, como se trata de um assunto mais complexo, deverá ser abordado em publicações futuras, de forma mais pormenorizada e com uma melhor adequação ao contexto em que são utilizados este tipo de fármacos.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Depressão


Todos nós temos dias em que nos sentimos tristes ou mais em baixo, mas são sentimentos que normalmente não duram muito e passam passados alguns dias. Num doente com depressão, estes sentimentos interferem com o seu dia-a-dia e causam “dor” para este e para todos à sua volta. A depressão é uma doença comum, mas muito séria.


Quais as diferentes formas de depressão?

Existem várias formas de distúrbios depressivos. As três formas de depressão mais comuns são a depressão major, a distimia e a depressão minor.

A depressão major, manifesta-se por uma combinação variável de sintomas depressivos que, pela sua intensidade, interferem com a capacidade da pessoa dormir, comer, trabalhar, estudar e divertir-se. Um episódio depressivo major pode ocorrer apenas uma vez na vida, mas mais frequentemente, vários episódios sucedem-se ao longo da vida. Uma depressão major crónica pode levar a tratamentos mantidos por vários meses, anos ou até indefinidamente.

A distimia, caracteriza-se pela presença de sintomas depressivos com menor gravidade mas que se mantêm de forma persistente (pelo menos, dois anos). Apesar de ser menos incapacitante que a depressão major, é um obstáculo importante ao bem-estar e ao funcionamento pleno da pessoa. É comum os doentes distímicos terem também episódios de depressão major em algum momento das suas vidas.

A depressão minor é caracterizada por ter sintomas depressivos durante 2 semanas ou mais, que não satisfazem todos os critérios que caracterizam uma depressão major. Sem tratamento, estes doentes têm um alto risco de vir a desenvolver uma depressão major. 

Algumas formas de depressão são um pouco diferentes, ou podem surgir apenas em circunstâncias especiais, no entanto, nem toda a gente concorda na caracterização e definição destas formas de depressão. Estas incluem:
  • A depressão psicótica, que ocorre quando uma pessoa tem uma depressão severa e alguma forma de psicose, como ter uma ruptura com a realidade (delírios) ou alucinações visuais ou auditivas.
  • A depressão pós-parto, que é muito mais séria do que a tristeza pós-parto que muitas mulheres sentem após darem à luz, quando mudanças físicas e hormonais e a nova responsabilidade de ter de cuidar de um recém-nascido podem ser esmagadoras. É estimado que entre 10 e 15% das mulheres sofrem de depressão pós-parto após darem à luz.
  • O Distúrbio Afectivo Sasonal (DAS), que é caracterizado pela existência de depressão durante os meses de Inverno, quando há menos luz natural. Esta depressão normalmente passa durante a Primavera e o Verão.
A perturbação bipolar (também chamada de doença maníaco-depressiva) é caracterizada por alterações cíclicas do humor, com períodos de mania (em oposição a depressão) alternando com períodos depressivos e períodos de normalidade. Em fase maníaca, os doentes são hiperactivos e apresentam um elevado grau de energia, com alterações de pensamento e comportamento que podem precipitar decisões pessoais, comerciais e sociais desajustadas, devido à crença exagerada e irrealista nas próprias capacidades e poderes. A fase depressiva é semelhante a um episódio de depressão major sendo o diagnóstico diferencial com essa forma de depressão muito importante, uma vez que o tratamento das duas condições é substancialmente diferente.


Quais são as causas da depressão?
 
A depressão é causada por uma combinação de factores genéticos, biológicos, ambientais e psicológicos.
Doenças depressivas são distúrbios cerebrais. Teorias aceites sobre depressão sugerem que neurotransmissores importantes estão desequilibrados, mas tem sido algo muito difícil de provar.
Tecnologias de imagem cerebral, como a ressonância magnética, têm mostrado que o cérebro de pessoas com depressão tem um aspecto diferente do das pessoas sem depressão, particularmente as porções envolvidas no sono, apetite, pensamento, comportamento e estado de espírito, no entanto, estas imagens não revelam o porquê do aparecimento da depressão e não podem ser usadas no seu diagnóstico.

Alguns tipos de depressão têm tendência a aparecer em pessoas com antecedentes familiares desta doença, no entanto, a depressão pode também ocorrer em pessoas sem quaisquer antecedentes familiares de depressão. Estudos genéticos têm vindo a mostrar um risco para depressão resultante de uma actuação conjunta de vários genes com factores ambientais ou outros. Além disso, traumas, perda de um ente querido, uma relação amorosa difícil ou qualquer situação stressante, podem ser factores desencadeantes de episódios depressivos.


Quais são os sintomas da depressão?

Não existe um quadro padrão de sintomas para a depressão, mas sim sinais recorrentes que podem indiciar a doença. A depressão não se manifesta da mesma forma de pessoa para pessoa. Se, em alguns casos, são mais evidentes os sintomas emocionais – de tristeza, desânimo, falta de interesse – noutros doentes a depressão manifestase sobretudo de forma física – com dor, alterações no sono, falta de energia, fadiga.
Quando uma pessoa apresenta um conjunto destes sintomas e estes interferem de forma importante com a vivência quotidiana, é fundamental consultar um médico.
Clique na imagem para ver mais sintomas de Depressão.





BIBLIOGRAFIA: 
- http://www.adepressaodoi.pt;
- http://www.nimh.nih.gov/health/publications/depression/complete-index.shtml; 
- http://www.min-saude.pt/portal/conteudos/enciclopedia+da+saude/saude+mental/depressao.htm;
- http://www.bial.com/pt/a_sua_saude.10/areas_terapeuticas_bial.13/sistema_nervoso_bial.37/depressao_bial.39.html

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