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domingo, 19 de fevereiro de 2012

A Visão

O nosso organismo para interpretar o ambiente que o rodeia baseia-se em cinco sentidos: a visão, a audição, o paladar, o olfacto e o tacto. É através dos vários receptores associados a estes sentidos que o organismo recebe informações sobre o meio exterior e assim assimila como é o que o rodeia. Destes cinco sentidos, vamo-nos focar neste artigo na visão.
O principal órgão associado à visão é o olho. Este encontra-se na cavidade ocular na face e é constituído por uma porção óptica – responsável por focar a imagem – e uma porção neural – responsável por transformar a imagem num padrão de potenciais de acção. Das suas estruturas anatómicas é de salientar a íris, o cristalino, a córnea e a retina.
Corte transversal do olho
(rodeadas a azul estão as estruturas que serão mencionadas ao longo do texto)

A íris (parte colorida do olho) é constituída por um músculo liso circular e um músculo liso radial. No centro da íris encontra-se a pupila (parte negra do olho). Esta estrutura reage à intensidade luminosa. Assim, se houver grande intensidade o músculo circular vai contrair e provocar miose (diminuição do diâmetro da pupila); se houver pouca intensidade o músculo radial vai contrair e provocar midríase (aumento do diâmetro da pupila).
O cristalino e a córnea são responsáveis por focar os raios de luz, de maneira a formar a imagem na retina. Os raios ao contactarem com superfícies diferentes são refractados (mudam de direcção) e são assim direccionados para a retina. O cristalino tem ainda como função ajustar a imagem consoante a distância. Deste modo, para focar um objecto distante o cristalino vai-se apresentar com uma forma mais plana, oval; para focar um objecto próximo vai-se apresentar com uma forma esférica. A sua conformação é controlada pela contracção e relaxamento do músculo ciliar.
Na retina encontram-se as células fotorreceptoras: os bastonetes e os cones. Os bastonetes são mais sensíveis e respondem a níveis muito baixos de iluminação, enquanto os cones são menos sensíveis e respondem apenas quando a luz é brilhante. Existem ainda três tipos de cones. Cada um deles absorve em comprimentos de onda diferentes, isto é, absorve cores diferentes: um absorve no azul, outro no verde e outro no vermelho (o nosso cérebro funciona com um sistema cromático igual ao da televisão: RGB = Red, Green, Blue – a conjugação destas três cores irá originar todas as outras).
Células responsáveis pela captação da imagem (bastonetes e cones)

Ao contrário dos outros tipos de receptores, estes encontram-se despolarizados em repouso e respondem ao estímulo com hiperpolarização (diminuição do potencial de membrana). Quando se dá esta variação, a mensagem é enviada através dos nervos ópticos para o córtex visual (no lobo occipital), é descodificada e origina-se a imagem.
"Trajecto" da imagem até ao córtex visual

Bibliografia:

VANDER, e outros, Fisiologia Humana - Os mecanismos das funções corporais, 9ª Edição, Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 2006

NETTER, Frank H., Atlas of Human Anatomy

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Sistema Genital Feminino – Overview


Estrutura do Sistema Genital Feminino

A reprodução é o mecanismo mais puro e simples pelo qual os seres vivos produzem descendentes, dando continuidade à espécie. No ser Humano esse processo é alcançado pelo complemento natural que existe entre o sistema reprodutor masculino e o sistema reprodutor feminino. 

O sistema genital feminino, também designado de aparelho reprodutor feminino, à semelhança do masculino  é composto por dois grupos de órgãos, os internos, localizados no interior da cavidade pélvica e os externos, directamente ligados ao exterior.

  Fazem parte dos órgãos internos os ovários, as trompas de falópio e o útero.

Os ovários ou gónadas femininas são dois órgãos glandulares com a forma de amêndoa, localizados simetricamente na parte inferior da cavidade pélvica um de cada lado do útero e debaixo da correspondente trompa de Falópio. Os ovários são responsáveis pela formação das células reprodutoras femininas, os óvulos, e pela produção das hormonas sexuais femininas.

As trompas de falópio são duas estruturas tubulares ocas com cerca de 10 a 12 cm de comprimento, que se localizam uma em cada lado do corpo do útero, terminando no ovário correspondente. A extremidade mais fina de cada trompa penetra na cavidade uterina, enquanto que a outra extremidade, a mais larga, termina na proximidade do ovário. A sua missão é captar o óvulo, produzido no ovário durante a ovulação, e transportá-lo até ao útero. Durante este percurso (ovário-útero) o óvulo pode ser fecundado caso hajam espermatozóides que efectuem o caminho inverso.


O útero é um órgão oco situado no centro da cavidade pélvica, por cima da vagina,  atrás da bexiga e à frente do recto. Tem a forma de uma pêra invertida, com cerca de 7 a 8 cm de comprimento.Divide-se em duas porções: o colo uterino ou cérvix, a parte inferior do útero e que está ligado à vagina, e o corpo que corresponde à parte superior do útero e onde se aloja o feto durante a gestação. O útero é constituído por várias camadas, nomeadamente tecido epitelial e tecido muscular cujas características se alteram sob influência hormonal durante o ciclo menstrual de modo a preparar o útero para receber o embrião caso tenha ocorrido fecundação ou a originar a menstruação, caso não exista qualquer óvulo fecundado.

Fazem parte dos órgãos externos a vagina e a vulva.

A vagina é um órgão tubular oco com cerca de 8 a 12 cm de comprimento e possuí um diâmetro muito variável devido ao seu carácter muscular e elástico que permite a sua dilatação durante o coito e o parto, o que é fundamental para a saída do feto para o exterior. Situa-se por baixo do útero, entre a bexiga e o recto e tem uma disposição oblíqua. Interiormente a vagina é revestida por uma camada de células glandulares cujas secreções contribuem para a lubrificação do canal, sendo que é por baixo desta camada que se encontra a camada muscular da vagina. A parte superior encontra-se ligada ao útero enquanto que a extremidade inferior contacta com o exterior através de um orifício, situado entre os pequenos lábios, que nas mulheres virgens está parcialmente revestido por uma membrana, o hímen, com um orifício central que permite a passagem do fluxo menstrual.


A vulva corresponde ao conjunto dos órgãos genitais femininos que se localizam totalmente no exterior do organismo. Deste conjunto fazem parte: o monte de Vénus (rico em tecido adiposo), os grande lábios (duas pregas grossas de pele), os pequenos lábios (duas pregas de pele mais fina e sem pêlos), o clítoris (pequeno órgão eréctil equivalente ao pénis masculino) e o vestíbulo (que contacta com a entrada da vagina). À frente do vestíbulo encontra-se o orifício onde termina a uretra e responsável pela micção. 

Principais funções do Sistema Genital Feminino
  • Ovulação (produção de células reprodutoras femininas – óvulos)
  •  Produção de hormonas sexuais femininas (síntese de estrogénio e progesterona).
Patologias mais frequentes

De entre as patologias mais comum no sistema genital feminino destacam-se vulvite, vaginite, cervicite, endometrite, salpingite, cancro do cólo do útero, entre outras, que serão abordadas em futuras publicações. 

Bibliografia
 - VANDER, A. J., SHERMAN, J. H., LUCIANO, S. D., Fisiologia Humana, Os Mecanismos das Funções Corporais, Guanabara Koogan, 2006, 9ªedição, 631-660.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Sistema Genital Masculino – Overview

A reprodução é o mecanismo mais puro e simples pelo qual os seres vivos produzem descendentes, dando continuidade à espécie. No ser Humano esse processo é alcançado pela complementaridade natural que existe entre o sistema reprodutor masculino e o sistema reprodutor feminino.

Estrutura do Sistema Genital Masculino

O sistema genital masculino, também designado de aparelho reprodutor masculino é composto por dois grupos de órgãos, os internos (a maioria deles) e os externos. 


Fazem parte dos órgãos internos os testículos, os epidídimos, os canais deferentes, as vesículas seminais e a próstata. 

Os testículos ou gónadas masculinas são dois órgãos glandulares de forma oval, localizados simetricamente na parte inferior do tronco, no interior de uma bolsa, o escroto. Durante o desenvolvimento fetal os testículos localizados inicialmente na cavidade abdominal, próximo dos rins, vão descendo até alcançarem a sua localização anatómica normal, no exterior da cavidade abdominal. São responsáveis pela formação dos espermatozóides e pela produção da principal hormona sexual masculina, a testosterona, que está envolvida no desenvolvimento das características sexuais secundárias. 

Os epidídimos são dois pequenos órgãos tubulares compridos localizados cada um deles sobre a parte superior do correspondente testículo. É aqui que os espermatozóides vindo do testículos amadurecem antes de prosseguirem o seu trajecto até ao exterior.  


Os canais deferentes são dois tubos revestidos por tecido muscular, com aproximadamente 60 cm de comprimento, correspondem à continuação dos respectivos epidídimos e têm como função o transporte dos espermatozóides em direcção ao exterior. 


As vesículas seminais são duas pequenas estruturas localizadas por cima da próstata e têm como função a produção de uma secreção espessa de cor amarela, líquido seminal, que contém as substâncias nutritivas de que os espermatozóides necessitam para sobreviver no seu trajecto ao longo do aparelho reprodutor feminino até aos óvulos.

A próstata é um órgão com a forma e tamanho de uma castanha, localizado por baixo da bexiga e à frente do recto. É essencialmente um orgão glandular responsável pela produção de uma secreção com elementos nutritivos para os espermatozóides, que fará parte da constituição do sémen. A uretra atravessa a próstata pelo que durante a ejaculação a secreção produzida na próstata desagua directamente na uretra.

É ainda importante referir que a porção terminal da vesícula seminal une-se com a porção terminal do canal deferente do lado correspondente, e formam uma estrutura tubular comum, denominada canal ejaculador. Os dois canais ejaculadores (um proveniente de cada lado) atravessam a próstata e desaguam na uretra, para onde transportam os espermatozóides e o líquido seminal no momento da ejaculação.

Fazem parte dos órgãos externos o pénis (o principal) e o escroto.

O pénis é um órgão cilíndrico situado na parte inferior do tronco, é atravessado pela uretra e tem a especial capacidade para alterara as suas dimenões e consistência quando entra em estado de erecção. Podemos distinguir três porções no pénis: a raiz, através da qual se encontra fixo ao tronco; o corpo, que corresponde à sua parte central; e uma extremidade de forma arredondada denominada glande onde se encontra a abertura da uretra para o exterior.

O escroto, como já foi referido anteriormente, é uma bolsa suspensa na raiz do pénis, na qual se encontram os testículos. É fundamental que durante o desenvolvimento fetal os testículos desçam e se alojem nesta bolsa onde a temperatura é inferior à do organismo, uma vez que a 37oC (temperatura do organismo) os espermatozóides não sobrevivem, aumentando deste modo o risco de infertilidade.


Principais funções do Sistema Genital Masculino 
  • Espermatogénese (produção de espermatozóides);
  • Produção hormonal (síntese de testosterona).

Patologias mais frequentes 

De entre as patologias mais comum no sistema genital masculino destacam-se prostatite, hipertrofia benigna da próstata, hidrocelo, varicocelo, orquite e epididimite que serão abordadas em futuras publicações.  


Bibliografia
VANDER, A. J., SHERMAN, J. H., LUCIANO, S. D., Fisiologia Humana, Os Mecanismos das Funções Corporais, Guanabara Koogan, 2006, 9ªedição, 617-631.



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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Hematologia (Overview)

O sangue constitui-se como a peça de união de todos os sistemas do nosso corpo. Não há nenhum órgão que não seja irrigado por ele, através dos mais variados vasos existentes na anatomia humana. A sua importância é tal que se apresenta como sendo o fluido corporal em maior volume, podendo variar, normalmente, entre 4 a 6 litros (valor que depende de vários parâmetros, nomeadamente do género, idade, factores relacionados com a dieta alimentar, etc.), correspondendo, no homem, a cerca de 8% da sua massa corporal total. A sua principal função é garantir a homeostasia básica do organismo, visto que é responsável pela distribuição de oxigénio e nutrientes aos órgãos, bem como a remoção de produtos tóxicos resultantes do metabolismo, reencaminhando-os para os locais específicos de eliminação.


Sendo considerado um tecido líquido que ocupa o sistema vascular sanguíneo, o sangue é constituído por uma variadade de células (representando 45% do volume total de sangue) e o restante volume, 55%, é constituído por água na qual se encontram dissolvidas proteínas (com várias funções, sendo uma delas a manutenção do equilíbrio osmótico), gases e outras substâncias. Tendo em conta todas estas características, a Hematologia (ciência responsável pelo estudo do sangue) não se dirige apenas ao estudo do sangue enquanto fluido, mas sim ao seu todo, desde as células que o constituem, parâmetros físico-químicos importantes e órgãos hematopoiéticos responsáveis pela produção de células sanguíneas essenciais.




Os elementos figurados do sangue (os elementos celulares) incluem as plaquetas (algumas centenas de milhar, em condições normais), leucócitos ou glóbulos brancos (alguns milhares) e eritrócitos (alguns milhões). Atente-se no facto de não se referir nenhuma quantidade em concreto de cada um dos elementos celulares pois, tendo em conta as várias fontes de informação e método de trabalho de cada local onde se procede à realização de hemogramas básicos, não existe um valor definido. Aliás, será ainda mais incoerente assumir certos valores como correctos tendo em conta que estes variam conforme o estado de saúde e outros factores anatomo-fisiológicos do indivíduo em questão, como será possível constatar-se em publicações futuras. No entanto, em cada local será possível encontrar-se uma “orientação” por valores de referência, visto que estes são essenciais como complementares a possíveis diagnósticos.



Ainda relativamente aos elementos figurados do sangue, podemos ser mais pormenorizados na sua descrição, em especial da série branca (glóbulos brancos). Esta série é constituída por 5 células morfológica e funcionalmente diferentes, sendo elas (por ordem decrescente de número de células existentes em condições normais) os Neutrófilos, os Linfócitos, os Monócitos, os Eosinófilos e, finalmente, os Basófilos. Cada um deste tipo de células possui características específicas que permite, normalmente, a sua distinção através da observação por microscopia óptica. No entanto, devido ao polimorfismo que estas células podem apresentar no contexto de variadas patologias, pode ser necessário recorrer a outros métodos (bioquímicos, por exemplo) para identificação das mesmas.

Já o plasma (parte do sangue onde não são incluídos as células que nele circulam) é constituído por cerca de 91% de água, 7% de proteínas (sendo as que se encontram em maior quantidade a albumina, globulinas e fibrinogénio) e, ainda, cerca de 2% de outros solutos, entre os quais se podem citar iões, nutrientes, produtos de metabolismo celular, gases e outras substâncias que poderão, eventualmente, encontrar-se em circulação. Todos estes constituintes têm importância na sua função, seja por serem parte activa na manutenção da pressão osmótica, dos potenciais de membrana ou estando envolvidos na resposta imunitária.



A hematopoiese – processo no qual se originam as células sanguíneas – acontece nos órgãos hematopoiéticos. A linhagem das várias células sanguíneas inicia-se num percursor comum, uma célula pluripotente, que posteriormente tem a capacidade de se diferenciar conforme os estímulos externos assim o influenciarem. Cada linhagem sanguínea tem, desta forma, o seu conjunto de factores de crescimento e outros estímulos (via hormonal, por exemplo) que definem a diferenciação e multiplicação das células que, num determinado momento, são essenciais. Todo o processo referente à vida das células sanguíneas e à sua eliminação quando chegam ao fim do prazo útil de vida está intimamente ligado aos órgãos hematopoiéticos e linfáticos do organismo. Destaca-se a Medula Óssea e o Timo como órgãos hematopoiéticos primários, locais onde ocorre a diferenciação e a maturação de algumas células. Já entre os órgãos hematopoiéticos secundários destacam-se o Baço, os Gânglios Linfáticos e o Tecido Linfóide não Encapsulado (MALT; GALT; BALT).


Sendo o sangue o elemento de ligação e que, de uma certa forma, garante a estabilidade de todos os sistemas do organismo, é um elemento que em certas patologias é bastante afectado. Isto assume grande importância quando se usa o sangue como um meio para diagnosticar várias patologias. Muitas outras vezes, existem factores extrínsecos ao organismo que influenciam os valores normais dos parâmetros sanguíneos, resultando numa série de sinais e sintomas que caracterizam várias doenças do foro hematológico. Assim sendo, futuramente serão abordadas várias patologias hematológicas, desde anemias, linfomas e leucemias, hemaglobinopatias, que irão evidenciar a importância do sangue como factor essencial para a manutenção da vida.


Bibliografia:


- Diapositivos de Aulas Teóricas de Hematologia, Profs.Leonor Correia e Adelaide Falcão, Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, Ano 2010/11

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Sistema Respiratório

Anatomia do Sistema Respiratório



O Sistema Respiratório é constituído pelas fossas nasais e anexos, pela laringe, pela árvore tráqueo-brônquica, pelos pulmões e pelas pleuras.

As fossas nasais e anexos constituem um sistema de cavidades ocupando a porção central da face. Estão em comunicação com as cavidades pneumáticas, os seios perinasais, estando protegidas por uma saliência, o nariz. Comunicam com o exterior pelos dois orifícios das narinas e com a naso-faringe através de dois largos orifícios, os coanos. A laringe, além de fazer parte do canal aéreo, é também o órgão da fonação. Compõe-se de várias cartilagens, articulações e músculos, e a sua superfície interior apresenta a mucosa laríngea revestindo as cordas vocais que, quando vibram em sintonia com a passagem do ar expirado, produzem o som laríngeo. É um órgão ímpar e mediano que ocupa a parte média e anterior do pescoço. Projecta-se entre a 3.ª e 6.ª vértebras cervicais, estando situada adiante da porção laríngeada faringe, com a qual comunica, por cima da traqueia, por baixo da base da língua e do osso hióide e atrás da glândula tiroideia.

A árvore tráque-brônquica é constituída pela traqueia e pelos brônquios. A traqueia é um canal cilíndrico fibro-musculo-cartilaginoso, constituído por 15 a 20 anéis, compreendido entre a laringe e a origem dos brônquios principais ou pulmonares. Situa-se na porção anterior e inferior do pescoço e encontra-se adiante do esófago. A traqueia bifurca-se ao nível da 4.ª ou 5.ª vértebras torácicas (a bifurcação da traqueia pode também ser designada por carina), originando os dois brônquios principais. O brônquio principal direito é mais vertical e de maior calibre do que o esquerdo, razão pela qual é o local mais provável para se encontrar um objecto aquando da sua inspiração. Os brônquios são constituídos por duas porções: uma porção extrapulmonar, desde a bifurcação da traqueia até ao hilo do pulmão, e uma porção intrapulmonar, constituindo o conjunto dos brônquios situados no interior do pulmão. Cada brônquio principal vai depois dividir-se em brônquios secundários ou lobares, que depois se dividem novamente em brônquios terciários ou segmentares. O brônquio principal direito divide-se em três brônquios secundários ou lobares (que se dividem em dez brônquios terciários) e o brônquio principal esquerdo divide-se em dois brônquios secundários (que se dividem em oito brônquiosterciários). Os brônquios terciários dão origem aos bronquíolos, que terminam nos alvéolos através dos bronquíolos terminais.




Os pulmões, em número de dois, um direito e outro esquerdo, encontram-se situados na cavidade torácica, à excepção do seu vértice que ocupa a base do pescoço. O pulmão direito encontra-se situado um pouco mais acima que o pulmão esquerdo. O pulmão esquerdo tem o volume reduzido pela presença do coração. Os pulmões são constituídos por lobos, que são condicionados pelos brônquios secundários ou segmentares, limitados pelas cissuras interlobares. Os lobos são divididos em segmentos, que são condicionados pelos brônquios terciários ou segmentares. O pulmão direito apresenta três lobos: lobo superior, lobo médio e lobo inferior, divididos por duas cissuras (a grande cissura ou cissura oblíqua e a pequena cissura ou cissura horizontal). O lobo superior é constituído por três segmentos (apical, posterior e anterior), o lobo médio por dois segmentos (externo e interno) e o lobo inferior por cinco segmentos (superior, basal interno, basal anterior, basal externo e basal posterior). O pulmão esquerdo apresenta dois lobos (lobo superior e lobo inferior), divididos pela grande cissura ou cissura oblíqua. O lobo superior é constituído pelo cúlmen (que contém dois segmentos, o ápico-posterior e o anterior) e pela língula (constituída pelos segmentos lingulares superior e inferior). O lobo inferior é constituído por cinco segmentos: superior, basal ântero-interno, basal anterior, basal externo e basal posterior.

Na cavidade torácica, os pulmões limitam entre si um espaço, o mediastino, ocupado pelo coração, pericárdio e grandes vasos, traqueia, brônquios e esófago, estando separados do fígado, estômago e baço por intermédio do diafragma. As pleuras são membranas serosas destinadas a facilitar o deslizamento dos pulmões sobre a parede da cavidade torácica. Encontram-se duas pleuras, completamente independentes, uma para o pulmão direito e outra para o pulmão esquerdo. Cada pleura possui dois folhetos, o folheto visceral e o folheto parietal, delimitando estes dois folhetos uma cavidade virtual, a cavidade pleural, por onde circula o líquido pleural.


Funções do Sistema Respiratório


O sistema respiratório é responsável primariamente pelo fornecimento de oxigénio ao sangue e pala remoção de dióxido de carbono. No entanto, possui outras funções, como a vocalização, o sentido do olfacto, o controlo do pH (pela eliminação de CO2), a síntese de moléculas importantes como a angiotensina II ou a criação de importantes gradientes entre o tórax e o abdómen para a circulação de sangue e/ ou linfa. Além disso a circulação pulmonar serve ainda como filtro para pequenos coágulos presentes na circulação venosa, evitando a obstrução de vasos na circulação arterial.


A respiração é o processo pelo qual um organismo troca oxigénio e dióxido de carbono com o ambiente. Compreende duas fases: a inspiração e a expiração. A inspiração é a fase activa da ventilação, resultando da contracção do diafragma e dos músculos intercostais. A expiração é um processo passivo, dependente de forças de retracção elástica. Assim, durante a inspiração há aumento do volume da caixa torácica, condicionando uma pressão pleural negativa e consequente expansão dos pulmões. Ocorre uma diminuição da pressão alveolar em relação à pressão atmosférica: há entrada de ar (ar flui do ambiente para os alvéolos, onde a pressão é mais baixa) até a pressão do ar ealveolar se encontrarem em equilíbrio. Durante a expiração ocorre o processo inverso: diminuição do volume da caixa torácica, aumento da pressão alveolar em relação à pressão atmosférica e saída do ar alveolar. Os gases difundem-se dos alvéolos para o sangue dos capilares pulmonares e vice-versa, passando pela fina membrana alvéolo-capilar.Os gases difundem-se também pela diferença de pressões entre a pressão alveolar e a pressão sanguínea: em condições normais a PO2 do ar alveolar é de 100 mmHg, enquanto a do sangue que entra nos capilares pulmonares é de 40 mmHg. A PCO2 do sangue venoso é de 46mmHg, enquanto a PCO2 do ar alveolar é de 40 mmHg. O CO2 atravessa todas as membranas biológicas com facilidade e a capacidade de difusão pulmonar deste gás é muito maior do que a capacidade do O2 (20x mais facilidade). Por este motivo, a retenção de CO2 raramente causa problemas aos pacientes com fibrose alveolar, mesmo quando a redução da capacidade de difusão do O2 é grave.


Patologias do Sistema Respiratório


As patologias do sistema respiratório podem ser classificadas como restritivas ou obstrutivas. Patologias restritivas endurecem os pulmões e reduzem a sua compliance e capacidade vital. Um exemplo é a fibrose (tecido fibrótico substitui tecido pulmonar saudável) que ocorre após patologias como a tuberculose. Patologias obstrutivas estreitam a via aérea e interferem com o fluxo de ar (obstruções da via aérea, tumores ou aneurismas que comprimam as vias aéreas são exemplos de patologias que levam a complicações obstrutivas).

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica é umas das principais patologias do sistema respiratório. Na DPOC há uma obstrução ao fluxo de ar durante a expiração, que não é reversível e que tende a agravar com o passar dos anos. Os 3 sintomas cardinais de DPOC são tosse, expectoração e dispneia de esforço.A DPOC incluiu duas situações clínicas: bronquite crónica e enfisema. A bronquite crónica é uma inflamação crónica dos brônquios, com espessamento mucoso e hipersecreção de muco, resultando na obstrução difusa e lesão crónica. O enfisema pulmonar caracteriza-se por uma dilatação anormal permanente dos alvéolos pulmonares, acompanhada pela destruição das suas paredes, sem fibrose evidente, causando uma perda da capacidade respiratória e uma oxigenação insuficiente. Estima-se que a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) afecte, em Portugal, cerca de 5,3% da população, sendo o tabagismo o maior culpado.

A Asma é uma doença inflamatória crónica em que ocorre obstrução à passagem de ar nas vias aéreas. É caracterizada por edema da mucosa brônquica, com aumento da produção de muco e contracção do músculo liso das vias aéreas, com consequente diminuição do seu diâmetro e edema dos brônquios e bronquíolos. A Asma é uma das doenças mais frequentes em crianças e uma das principais causas de absentismo e hospitalização infantil. A maior parte dos casos desenvolve-se antes dos 10 anos, sendo que apenas15% dos casos se desenvolve depois dos 40 anos.




Bibliografia



Esperança Pina, J. A.; Anatomia Humana dos Órgãos 2.ª Edição; Lidel, 2010

Guyton, A. e Hall, J.; Textbook of Medical Physiology 11th Edition; Saunders, 2005

Kumar, V. et al; Robbins Basic Pathology 8th Edition; Saunder, 2007

Saladin, K.; Anatomy and Physiology: The Unit of Form and Function 6th Edition; McGraw Hill Higher Education, 2011

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Psicopatologia

       A psicopatologia é a ciência que estuda as anormalidades psíquicas do ser humano. É descrita como uma visão das patologias mentais fundamentada na fenomenologia (no sentido da psicologia das manifestações da consciência), em oposição a uma abordagem estritamente médica de tais patologias, buscando não reduzir o sujeito a conceitos patológicos e enquadrando-o em padrões baseados em pressupostos e preconceitos para formular, mais tarde, os quadros nosológicos.

       A psicopatologia importa-se fundamentalmente com a forma de cada função psíquica, sendo que os seus “conteúdos” têm uma importância secundária. Exemplificando, podemos dizer que a forma de um livro é aquilo que faz com que reconheçamos que se trata de um livro, isto é, a essência deste objecto; e o conteúdo é aquilo que define tal livro, ou seja, sua mensagem.

       Resumiremos a seguir três das principais funções psíquicas e suas anormalidades mais frequentes nas diversas síndromes psiquiátricas.

Consciência
       A consciência é a capacidade neurológica que nos permite captar o ambiente e orientar de forma adequada, é estar lúcido. A consciência pode ser considerada do ponto de vista psiquiátrico, como um processo de coordenação e de síntese da actividade psíquica.

       "É uma actividade integradora dos fenómenos psíquicos, é o todo momentâneo que possibilita que se tome conhecimento da realidade naquele instante." (Rosenfeld, 1929).

        Podemos considerar a consciência como uma das funções psíquicas com a qual estabelecemos contacto com a realidade, através do qual tomamos conhecimento directo e imediato dos fenómenos que nos cercam.

       Podemos ter alterações "fisiológicas" da consciência, como o sono, sonho, hipnose e cansaço, que são normais em indivíduos saudáveis.

       As anormalidades da consciência podem ser classificadas como quantitativas ou qualitativas. Nas alterações quantitativas, há uma variação do nível de consciência, ou seja, da clareza com que os fenómenos psíquicos são vivenciados. O indivíduo apresenta fala, pensamento e emoções que dificilmente podemos entender, confunde percepções, não consegue fixar a sua atenção e geralmente está desorientado. Já as alterações qualitativas referem-se a variação de amplitude do campo de consciência. Um exemplo de uma alteração qualitativa, é o estado crepuscular, onde há um estreitamento do campo da consciência. Neste estado, o paciente parece ter perdido o elo com o mundo exterior, quase não fala e age como se estivesse psiquicamente ausente. O estado crepuscular pode estar presente em algumas doenças como a epilepsia e a histeria.

       Se desenhássemos uma escala para as alterações quantitativas, ou seja, para a diminuição do nível de consciência, esta seria da seguinte forma: inicialmente teríamos o indivíduo lúcido, passando depois para um estado de sonolência, da sonolência este poderia ficar em torpor ou obnubilação, sendo que na obnubilação teríamos um conteúdo anormal na consciência, e, de qualquer um destes dois estágios, o paciente passaria para o estado de coma.

                Resumidamente, poderíamos considerar somente:

  • Estreitamento: é a redução quantitativa e qualitativa da consciência, havendo um conteúdo menor e uma selecção sistemática dos temas. Normalmente ocorre nas manifestações histéricas (nas dissociações) e nos estados crepusculares (na epilepsia).
  • Entorpecimento: diminuição ou perda da lucidez e da vigília, fazendo com que a atenção dificilmente se forma ou se mantém. Ocorre em situações de febre, acidente vascular cerebral, traumatismo crânio encefálico, etc.
  • Obnubilação: é a diminuição da lucidez (como no entorpecimento) associado à presença de um conteúdo anormal na consciência. Este estado é geralmente acompanhado de distúrbios senso-perceptivos e do pensamento, como ocorre por exemplo no delírio.

Atenção
       Considera-se a atenção como um processo psicológico mediante o qual concentramos a nossa actividade psíquica sobre o estímulo que a solicita, seja este uma sensação, percepção, representação, afecto ou desejo, a fim de fixar, definir e seleccionar as percepções, as representações, os conceitos e elaborar o pensamento. Resumidamente, podemos considerá-la como a nossa capacidade de concentração, que pode ser espontânea ou activa e que é um processo que depende do estado de ânimo e das condições gerais do psquismo.

       É importante notar que a atenção não é uma função psíquica autónoma, visto que ela encontra-se vinculada à consciência. Por exemplo, o indivíduo que está em obnubilação geralmente encontra-se com alterações ao nível da atenção, apresentando-se hipervigil. Contudo, um paciente em torpor se encontra hipovigil.

       Sem a atenção a actividade psíquica seria como que um sonho vago, difuso e contínuo.

      Segundo Alonso Fernández, ao concentrar a atenção escolhemos um tema (um objecto, uma acção, um lugar, uma palavra, etc.) no campo da consciência e elevamos este ao primeiro plano da mesma, mantendo este tema rigorosamente perfilado, sem se deixar desviar pelas influências dos sectores excêntricos do campo da consciência, mas podendo sempre modificar o tema escolhido com toda a liberdade.

       Distinguem-se duas formas de atenção: a espontânea (vigilância) e a activa (tenacidade). No primeiro caso ela resulta de uma tendência natural da actividade psíquica para se orientar para as solicitações sensoriais e sensitivas, sem que seja necessária a intervenção de um propósito consciente. Já a atenção activa, ou voluntária, é aquela que exige um certo esforço no sentido de orientar a actividade psíquica para determinado fim.

       As alterações da atenção desempenham um importante papel no processo de conhecimento. Em geral, estas alterações são secundárias e decorrem de perturbações de outras funções, das quais depende o funcionamento normal da atenção. A fadiga, os estados tóxicos e diversos estados patológicos determinam uma incapacidade de concentrar a atenção.

       Hipoprosexia: é a diminuição da atenção, ou o enfraquecimento acentuado da atenção em todos os seus aspectos. É observada em estados infecciosos, embriaguez alcoólica, psicoses tóxicas, esquizofrenia e depressão. Pode ocorrer por:

  • falta de interesse (deprimidos e esquizofrênicos)
  • défice intelectual (oligofrenia e demência)
  • alterações da consciência (delírio)

       Os estados depressivos são geralmente acompanhados por uma diminuição da capacidade de concentrar a atenção como um todo. No entanto, têm aumento da concentração activa para temas depressivos (hipertenacidade).

  • Hipotenacidade: diminuição da atenção "activa".
  • Hipertenacidade: aumento da atenção "activa"
  • Hipovigilância: diminuição da atenção "passiva"
  • Hipervigilância: "distratibilidade", ou aumento da atenção "passiva"
  • Hipervigilância e Hipotenacidade: ocorrem nos casos de mania.
  • Hipovigilância e Hipertenacidade em temas depressivos: ocorrem nos casos de depressão.


Orientação
       "Complexo de funções psíquicas em virtude das quais temos consciência, em cada momento de nossa vida, da situação real em que nos encontramos", ou seja, é a capacidade que temos de nos situar, em relação a nós e ao mundo, no tempo e no espaço. É bastante complexo e exige a inter-relação entre vários dados psíquicos. A orientação requer actividades mentais como o instinto, percepção, memória, atenção e inteligência. Alterações nestas actividades mentais podem levar à graus variados de desorientação.

        Orientação autopsíquica: relativa ao próprio indivíduo, ou seja, à capacidade de se identificar: saber quem é, nome, idade, nacionalidade, profissão, estado civil, etc.
       Orientação alopsíquica: relacionada com o tempo e o espaço, ou seja, à capacidade de estabelecer informações correctas acerca do lugar onde se encontra, tempo em que vive, dia da semana, do mês, etc.

       As desordens destes dois estados são chamadas de desorientação autopsíquica e alopsíquica, respectivamente. Estas alterações dependem estritamente do tipo de perturbações das funções psíquicas a que se acham subordinadas a orientação no tempo, no espaço e sobre si próprio. Em geral, a desorientação ocorre de modo gradual, inicialmente em relação ao tempo, depois ao espaço e a última a ser alterada é a autopsíquica. Os tipos de desorientação distinguem-se ainda em três outras formas:

       Desorientação apática: decorrente de alterações da vida instinto-afectiva. O indivíduo está lúcido e percebe com clareza e nitidez o que se passa no mundo exterior, porém há falta de interesse, inibição psíquica ou insuficiente energia psíquica para a elaboração de percepções e do raciocínio. O indivíduo percebe o ambiente porém não forma um juízo sobre a sua própria situação. Ocorre com frequência em esquizofrénicos crónicos e em quadros depressivos.
       Desorientação amnésica: relativa ao bloqueio dos processos mnésicos. Incapacidade do indivíduo em fixar acontecimentos (memória) e consequentemente, incapacidade de se orientar no tempo, espaço e em relações com outras pessoas. Pode ocorrer em pacientes com quadros dementes.
      Desorientação delirante: produzida por perturbações do juízo de realidade, devido à presença de falsos conteúdos (ou conteúdos anormais) no campo da consciência. Pode ocorrer em pacientes que estão psicóticos: na esquizofrenia, na mania e depressão psicótica. Os esquizofrénicos com desorientação delirante geralmente apresentam, também, dupla orientação.
       Dupla orientação: permanência simultânea da orientação verdadeira ao lado de uma falsa, ou seja, o mundo real sincronizado com o mundo psicótico, como ocorre em esquizofrénicos. Por exemplo, um paciente orientado em termos de tempo e lugar que acredita estar no inferno ou numa prisão.
       Desorientação com turvação da consciência: aqui a pessoa encontra-se desorientada pois está com comprometimento do nível de consciência. Ocorre no delírio, causado devido ao álcool (delirium tremens) ou por doenças físicas e/ou medicamentos.
       Desorientação oligofrénica: A pessoa está com alteração do nível de orientação pois este não possui inteligência para correlacionar ambientes, pessoas, dias, etc. Pode ocorrer em casos de deficiência mental.

Bibliografia:
- Karl Jaspers,J. Hoenig,Marian W. Hamilton General Psychopathology. John Hokins Ed. 1977 e Chicago University.
- NOBRE DE MELLO AL - PSIQUIATRIA . 3a. Ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 1979.
- NUNES P, BUENO JR e NARDI AE - Psiquiatria e saúde mental. São Paulo: Editora Atheneu, 1996.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Sistema Endócrino


Novidade não é que o nosso organismo tende a aproximar-se de um equilíbrio. Para isso, é essencial que o seu meio interno esteja em constante manutenção: “É a constância do meio interno que constitui a condição da vida livre e independente… Por muito que variem, todos os mecanismos vitais tem somente um objectivo, manter constantes as condições da vida no ambiente interno” (Claude Bernard, sec. XIX).

O Sistema Endócrino é um dos mais complexos sistemas de comunicação do nosso organismo, sendo composto por todas as glândulas que secretam hormonas, as glândulas endócrinas (Ao contrário das glândulas exócrinas, as endócrinas não possuem ductos excretores). Os vários grupos hormonais em que o Sistema Endócrino se pode dividir assumem um papel essencial na regulação de quase todas as funções corporais (metabolismo, reprodução, comportamento, equilíbrio electrolítico…), o que confirma a sua importância e necessidade de regulação extrema.

Para entender a estrutura base deste sistema, é importante introduzir o conceito de hormona.
Hormona: substância química lançada em circulação, por tecidos diferenciados, em resposta a um estímulo específico e numa quantidade ajustada a este. A sua libertação leva a uma reacção específica num tecido ou órgão alvo.
Locais de Produção de Hormonas no Organismo
in Text Book of Medical Physiology

As hormonas podem dividir-se em três classes principais: Proteínas e polipéptidos, Esteróides e Derivadas da Tirosina.

As primeiras, proteicas, incluem as hormonas produzidas na hipófise (hipófise anterior e posterior), pâncreas, glândulas paratiroideias, entre outros menos frequentes. Deste grupo fazem parte a maioria das hormonas, variando de cadeias de 3 aminoácidos a pequenas proteínas (algumas glicoproteínas). Em muitos casos são sintetizadas nos ribossomas nas células endócrinas como pré-pró-hormonas que depois são clivadas em pró-hormonas e depois maturadas até à sua secreção em hormonas activas.
Exemplos de hormonas proteicas: CRH, Calcitonina, Leptina, Insulina e Hormona de Crescimento.

As hormonas esteróides são lípidos secretados pelo córtex adrenal (glândula supra-renal), ovários, testículos e ainda a placenta. Todas as hormonas esteróides têm um precursor comum: colesterol. As células produtoras de esteróides sintetizam este composto mas a maior parte é proveniente do plasma. A síntese das hormonas é depois feita por pequenas alterações estruturais por parte de enzimas específicas. Estas hormonas não são armazenadas dentro da célula: visto serem lípidos, quando são produzidas atravessam logo a membrana celular e atravessam o fluido intersticial e entram no sangue onde se ligam a determinadas proteínas plasmáticas.
Exemplos de hormonas esteróides: Testosterona, Estrogénio, Progesterona, Cortisol e Vitamina D (derivada).

Finalmente, as hormonas derivadas da tirosina são secretadas pela tiróide e medula supra-renal.
Exemplos de hormonas derivadas da tirosina: Tiroxina, Triiodotironina, Adrenalina (ou Epinefrina) e Noradrenalina (Norepinefrina).

Ao contrário do que se possa pensar, não há polissacáridos ou ácidos nucleicos com actividade hormonal.

Nas bases do sistema Endócrino podemos ainda apontar os mecanismos de feedback, positivo e negativo. Resumindo, estes mecanismos, têm como objectivo regular as concentrações de hormonas com base nas reacções resultantes. No caso do mecanismo de feedback negativo, quanto maior for a reacção, menor a libertação da hormona a partir desse momento, no caso do feedback positivo, elevadas concentrações de determinada substância estimulam a libertação da hormona.

Patologias Frequentes

A hormona de crescimento é uma das hormonas que apresentam um quadro bastante variado em termos de distúrbios. Quando existe um excesso de HC pode observar-se gigantismo se este aumento for antes da puberdade ou acromegália (crescimento de alguns tecidos específicos) se for depois da puberdade. Um défice de HC pode conduzir a baixa estatura e obesidade.

Outras hormonas que apresentam distúrbios comuns são as tiroideias, alteração presente no hipo e hipertiroidismo.

A hormona paratiroideia é uma hormona que está relacionada com o metabolismo do cálcio e, portanto, um excesso conduz a hipercalcémia e um défice a hiperexcitabilidade muscular, entre outros sinais

Bibliografia
GUYTON, A.C.; HALL, J.E. Text Book of Medical Physiology. 11th ed. Elsevier Ed., 2006.
VANDER, A. J., SHERMAN, J. H., LUCIANO, S. D., Humam PhysiologyThe Mechanisms of Body Function, McGraw-Hill.
Apontamentos das Aulas Teóricas de Fisiologia. FCM-UNL 2010/11 

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Sistema Nervoso - Overview

Como em qualquer sistema que desempenhe diversas funções, é essencial que exista um sistema que controle e coordene o todo de maneira a que no final o resultado seja positivo e produtivo. No caso do organismo humano, esse sistema controlador e coordenador é o Sistema Nervoso e o resultado será o equilíbrio entre todos os outros sistemas e a manutenção da vida.

O Sistema Nervoso divide-se em dois grandes grupos: o Sistema Nervoso Central (SNC) e o Sistema Nervoso Periférico (SNP).

Sistema Nervoso Central

O SNC é constituído pelo encéfalo (cérebro, cerebelo e tronco cerebral) e medula espinhal.

O cérebro divide-se em dois hemisférios com funções diferenciadas. Na maioria da população, o hemisfério esquerdo é responsável pela aptidão verbal, enquanto o direito actua ao nível da aptidão espacial, sendo também que cada hemisfério controla o movimento do lado oposto do corpo. Este órgão é constituído por massa branca e massa cinzenta. A cinzenta encontra-se externamente e designa-se por córtex cerebral. Este é constituído por quatro lobos com diferentes funções: parietal, frontal, occipital e temporal.

O cerebelo divide-se me dois hemisférios e tem como funções a manutenção do equilíbrio do indivíduo e o controlo dos seus movimentos voluntários.

A medula espinhal encontra-se dentro dos ossos da coluna vertebral. Ao contrário do cérebro, apresenta massa branca na sua parte externa e massa cinzenta no seu interior. É dela que parte e chega a maioria dos nervos do sistema nervoso periférico.

Sistema Nervoso Periférico

O SNP é composto por uma Divisão Aferente (nervos sensitivos) e por uma Divisão Eferente (Sistema Nervoso Somático e Sistema Nervoso Autónomo). Os seus nervos partem ou do encéfalo (12 Nervos Cranianos) ou da medula espinhal (31 Nervos Raquidianos).

Nota: Cada plexo envolve vários nervos. Formam uma espécie de rede que irá inervar determinada área.

A Divisão Aferente é constituída por nervos sensitivos, os quais trazem informação dos receptores sensitivos ao SNC, de modo a que esta seja integrada e possa ocorrer uma resposta.

A Divisão Eferente é constituída por nervos somáticos e nervos autonómicos. Os nervos somáticos inervam os músculos esqueléticos, enquanto os nervos autonómicos inervam músculos lisos, cardíacos, glândulas e outros órgãos internos. São estes que vão levar a informação do SNC até ao órgão efector, de maneira a que se dê a resposta.

Exemplo de estimulação-integração-resposta:

Quando nos picamos com uma agulha no dedo, os receptores sensitivos do dedo vão desencadear estímulos nervosos. Estes estímulos vão chegar ao SNC, onde vão ser integrados e descodificados. Depois disto, o SNC envia um outro estímulo nervoso. Este irá chegar ao local efector (neste caso o dedo), através de nervos eferentes, desencadeando-se uma resposta: vamos desviar o dedo da agulha.

O Neurónio

A estrutura base deste sistema é o neurónio. Esta célula tem como principal função a transmissão de informação, tornando-se assim possível a “comunicação” entre os diferentes órgãos e o “centro controlador” do organismo. Esta transmissão dá-se através de impulsos nervosos resultantes de alterações no potencial de membrana da célula, o que gera uma corrente eléctrica ao longo do axónio. No fim do axónio são libertados neurotransmissores para a fenda sináptica e estas moléculas vão desencadear uma resposta na célula pós-sináptica: caso esta seja outro neurónio, vão desencadear um novo estímulo para que a transmissão continue; caso seja uma célula efectora, a mensagem é descodificada e a “ordem” enviada é executada.

Doenças que afectam este sistema:

Várias são as doenças que afectam o Sistema Nervoso, a maior parte delas bastante complexa e pouco compreendidas. Alguns exemplos são a doença de Alzheimer, a doença de Parkinson, a esclerose lateral amiotrófica, as quais serão abordadas em publicações posteriores.

Bibliografia:

VANDER, e outros, Fisiologia Humana - Os mecanismos das funções corporais, 9ª Edição, Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 2006

SANTOS, José Martins dos, e outros, Anatomia Geral - Moreno, 2ª Edição, 2003

NETTER, Frank H., Atlas of Human Anatomy

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