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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Medicina Social - Nova Rede Social

Um novo portal parecido com o Facebook torna médicos e pacientes em colaboradores de investigação

Apesar dos recentes avanços médicos, o tratamento de muitas doenças crónicas continua acidental e inconsistente. Adolescentes com Doença de Chron, uma patologia digestiva diagnosticada muitas vezes em idade jovem, por exemplo, recebem muitas vezes informações conflituosas quanto a medicação, modificação na dieta e terapias alternativas. Para ajudar a aumentar os cuidados que estes pacientes recebem, uma equipa de pediatras e cientistas da computação está a desenvolver um novo tipo de rede social que transforma médicos e pacientes em colaboradores de investigação.

Eis como funciona: com cada terapia ou modificação terapêutica, médicos e pacientes participam num pequeno ensaio clínico. O paciente regista os sintomas através de relatórios diários através de mensagens de telemóvel ou pela Internet. O médico usa essa informação para tomar decisões imediatas. Deverá a dosagem da medicação ser alterada? Está a nova dieta a ajudar a aliviar os sintomas? As informações destes ensaios individuais são armazenadas num banco on-line, sendo depois agregadas a informações de outros pacientes, de ensaios semelhantes, para posterior compreensão da condição em questão. Em ensaios precoces deste processo, médicos foram capazes de aumentar a taxa de remissão de 55 para 78% sem adição de novos medicamentos ao seu arsenal. “A ideia é providenciar um cuidado continuado e recolher em tempo-real informações que vão mudar a compreensão e o tratamento da Doença de Chron”, diz Peter Margolis do Centro Médico Hospitalar Pediátrico de Cincinnati, um co-fundador do novo portal, a “Collaborative Chronic Care Network” (Rede Colaborativa de Cuidados Crónicos). A rede, conhecida como C3N, foi lançada no início do ano em 30 instituições nos Estados Unidos da América. Actualmente foca-se na Doença de Chron pediátrica, mas pode evoluir no sentido de incluir outras patologias, como a diabetes, a doença cardíaca, a psoríase e alguns cancros. Os fundadores do site acreditam que o C3N pode ainda providenciar uma nova plataforma para investigação clínica, uma significativamente menos dirigida pelo lucro. “Como os ensaios clínicos são tão caros, só são testados os tratamentos que prometem um grande lucro”, diz Ian Eslick, um candidato a PhD no Media Lab do M.I.T. e arquitecto Web chefe do C3N. “Com o C3N, conseguimos testar cientificamente outras coisas – probióticos, dietas sem glúten, alterações na ingestão de ferro – que as pessoas estavam já a tentar em casa e isso parece promissor, mesmo que não sejam rentáveis”.

Janeen Iterlandi, Scientific American, Novembro 2011 (artigo traduzido)

Ilustração de Thomas Fuchs

domingo, 18 de dezembro de 2011

Um Natal mais saudável!

Com o passar dos dias do mês de Dezembro ultimam-se os últimos pormenores para a ceia de Natal, mas nesta altura de excessos os cuidados com a alimentação ficam muitas vezes em segundo plano.
Aqui ficam algumas sugestões para que o Natal possa ser um pouco mais saudável:

Couves
As couves são excelentes fontes de vitaminas, minerais e fibra. No entanto, ao cozer, só devem ser adicionadas à água quando esta estiver a ferver para reduzir a perda de algumas vitaminas. Pode aproveitar ainda a água da cozedura para fazer uma sopa.


Peru
As carnes magras como o peru têm menor quantidade de gordura saturada, desde que lhe retire a pele.

Azeite
É uma gordura rica em ácidos gordos monoinsaturados, fazendo que resista a temperaturas na ordem dos 180.ºC (na fritura) sem se degradar. Deverá ser a gordura de eleição na confecção e tempero dos alimentos.

Canela
A canela possui um elevado teor em fitoquímicos, que apresentam uma importante capacidade anti-oxidante e antimicrobiana. É uma boa opção para os doces, ajudando a reduzir a adição de açúcar com o sabor agradável que confere.



Pinhões

São um fruto oleaginoso, grande fornecedor de gorduras polinsaturadas, importantes na redução dos níveis sanguíneos de colesterol LDL. É o que apresenta maior teor em proteínas, dos frutos secos.

Vinho Tinto
O vinho tinto possui resveratrol, um fitoquímico presente nas grainhas e película das uvas, que tem uma capacidade antioxidante importante no combate aos radicais livres. Deve ser consumido com moderação e a acompanhar as refeições.

Pão Integral
Prefira pão com cereais integrais, uma vez que apresentam maior teor de fibra, vitaminas e minerais, conferindo assim maiores benefícios para a saúde. Porque não fazer as suas rabanadas com pão integral, colocando-as no forno, em vez de fritar?

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Gripe - Terapêutica

A terapêutica da gripe é essencialmente sintomática para a febre, dor e congestão nasal, com paracetamol. Deste modo o indivíduo consegue melhorar o seu bem-estar e eliminar o vírus do organismo sem recorrer a fármacos específicos para esta doença. Isto deve-se ao facto de o nosso organismo ter a capacidade de eliminar o vírus sozinho através do nosso Sistema Imunitário.
No entanto, existem excepções em que é necessário recorrer a anti-virais e à vacina. Então, duas questões se levantam: a quem se destinam estes fármacos?; e quando é necessário recorrer a estes fármacos?

Fármacos Anti-Virais

Os fármacos anti-virais destinados a combater o vírus da gripe são fármacos inibidores da Neuraminidase. Esta proteína está situada à superfície do invólucro do vírus e é uma enzima que cliva um açúcar existente no muco das vias respiratórias (ácido siálico), conseguindo assim chegar ao epitélio respiratório, infectar as células e multiplicar-se dentro destas. Permite ainda a libertação dos vírus recém-sintetizados da célula hospedeira, através da quebra da ligação entre os resíduos de ácido siálico e o receptor da hemaglutinina. Deste modo, inibindo-se esta enzima, será possível inibir a infecção das células por este vírus e a sua replicação.

Como funcionam?
Estes fármacos ligam-se ao sítio activo da enzima, impedindo que o ácido s
iálico ocupe este lugar e, desta maneira, a enzima deixa de funcionar. São moléculas com forma semelhante ao ácido siálico.

Quando se devem tomar?

Estes fármacos são indicados em pandemias do vírus Influenza. Como qualquer vírus, este vírus sofre mutações, ou seja, modificações no seu código genético, que levam a que o nosso Sistema Imunitário o deixe de reconhecer e tenha que actuar de maneira diferente para o eliminar do nosso organismo. Todos os anos o vírus sofre estas modificações, contudo de tantos em tantos anos ele sofre uma modificação maior e mais grave e nosso Sistema Imunitário deixa de o conseguir eliminar, instalando-se uma pandemia a nível mundial. Um exemplo recente deste tipo de fenómenos é a gripe suína (gripe A H1N1) de 2009.

Fármacos no mercado
Zanamivir
  • Tratamento de infecções em adultos e adolescentes;
  • Contra-indicado em grávidas e durante o aleitamento, em doentes com asma ou DPOC (doença pulmonar obstrutiva crónica).

Oseltamivir

  • Tratamento e profilaxia de infecções em adultos e crianças com mais de 13 anos;
  • Tratamento de infecções em crianças com mais de 1 ano;
  • Contra-indicado em grávidas e durante o aleitamento;
  • Reduzir posologia no doente com insuficiência renal.

Vacina da Gripe

A vacina da g
ripe é administrada todos os anos entre Setembro e Novembro e tem como objectivo proteger contra as estirpes do vírus responsáveis nesse ano pelas epidemias da gripe humana. A Organização Mundial de Saúde (OMS) todos os anos prediz quais as estirpes mais predominantes e com base nessa informação as vacinas são produzidas. Isto deve-se às mutações no código genético que este vírus sofre, já referidas acima. Por este facto, uma pessoa que tenha tomado a vacina pode à mesma ser infectada pelo vírus! Basta que apareça uma estirpe que não esteja contemplada na vacina. Uma vez que é impossível prever todas as mutações que poderão acontecer, é impossível fazer uma vacina que englobe todas as estirpes existentes.

Como funcionam?
O nosso Sistema Imunitário reconhece os agentes estranhos ao nosso organismo através de antigénios. Quando esse antigénio lhe é estranho, ou seja, não pertence ao organismo, desenvolve-se uma resposta imunitária para que este seja eliminado do nosso organismo. Quando o nosso organismo é novamente atacado por um agente com esses antigénios, ele já o irá reconhecer e a resposta imunitária será mais rápida e, consequentemente, o tempo de infecção menor e os sinais e sintomas menos graves.
O objectivo de uma vacina é apresentar ao nosso organismo esses antigénios de uma forma atenuada. Assim, quando o organismo é atacado pelo agente estranho pela primeira vez, o nosso organismo já o reconhece e agirá de uma forma mais rápida. Ou seja, a primeira infecção funcionará como uma segunda, pois o organismo já tinha tido contacto com uma parte do agente (aquela que o identifica) através da vacina.
No caso do vírus Influenza, os seus antigénios são a hemaglutinina e a neuraminidase. Assim, a vacina é constituída por estes dois antigénios (apenas das estirpes previstas pela OMS, as outras estirpes terão modificações nestas proteínas e não serão reconhecidas).

Quem deve tomar?

A vacina da gripe é indicada para grupos de risco. Nestes grupos incluem-se os idosos, crianças entre os 6 e os 23 meses, doentes crónicos (doenças cardíacas, pulmonares, insuficientes renais, diabéticos) e todos os indivíduos debilitados do ponto de vista de defesas do organismo. São portanto as pessoas que quando infectadas por este vírus apresentam quadros fisiopatológicos mais graves.
Contra-indicações:

  • Antecedentes de uma reacção grave a uma dose anterior da vacina;
  • Alergia a componentes da vacina;
  • Precaução em indivíduos com Síndrome de Guillan Barré.

Reacções adversas:

  • Nível sistémico: febre ligeira, dor de cabeça e mau estar;
  • Nível local: dor, rubor e edema;
  • Alergias (raramente).

É importante referir que a vacina da gripe NÃO causa gripe nem reacções adversas graves!

sábado, 26 de novembro de 2011

Gripe


A gripe é a infecção respiratória viral mais comum. É uma infecção respiratória aguda de curta duração causada pelo vírus Influenza (os Italianos, no século XVIII atribuíam a gripe à influência dos astros, daí a designação de “Influenza”), que ao entrar no nosso organismo pelas vias aéreas superiores (nariz, por exemplo) se multiplica e dissemina para a restante via aérea, incluindo os pulmões.

Difere da constipação (causada por outro tipo de vírus, como os rinovírus) por ser mais incapacitante e ser acompanhada de febre superior a 38.ºC, fortes dores de cabeça, dores musculares, cansaço e fraqueza. A constipação manifesta-se com outros sintomas não tão evidentes na gripe (congestão nasal, espirros, irritação da garganta, por exemplo). Nas constipações não é comum haver febre e se houver a temperatura é muito baixa (< 38.ºC), sendo rara a presença de dores musculares, cansaço ou fraqueza.

O vírus Influenza é um vírus de RNA da família Orthomyxoviridae, que contém na sua superfície duas proteínas: hemaglutinina (responsável pela entrada do vírus nas células do nosso organismo) e a neuraminidase (permite a libertação dos novos vírus). Existem três tipos de vírus (A, B e C), sendo que apenas os vírus A e B causam doença com impacto significativo nos humanos (principais causadores das epidemias anuais). A variabilidade das proteínas virais (hemaglutinina e neuraminidase) está na base da classificação em diferentes subtipos.

Os sintomas da doença surgem entre 1 a 4 dias (período de incubação do vírus), sendo que a intensidade e severidade dos mesmos varia entre indivíduos. Embora possa afectar qualquer pessoa, os idosos e os doentes crónicos são os mais vulneráveis, apresentando casos mais severos.

Os sintomas mais comuns incluem febre, dores de cabeça, tosse seca, garganta irritada, congestão nasal e dores musculares. Pode ainda cursar com vómitos, náuseas e diarreia (mais comuns em crianças, raros em adultos). A gripe pode complicar, levando a bronquite, pneumonia, sinusite, otite média, encefalite, pericardite ou Síndroma de Reye (raro).

Os sintomas devem-se ao processo de defesa desencadeado pelo nosso sistema imunitário, e cessam normalmente em cerca de uma semana.

Deve procurar um médico quando a febre persistir por mais de 24 horas (superior a 37,8.ºC), quando a respiração se tornar difícil ou apresentar sons anormais ou afundamento do tórax durante os movimentos respiratórios, se surgir dor de ouvidos ou manchas vermelhas na pele, se houver recusa total da alimentação, se aparecerem sinais de desidratação (pele seca, diminuição do volume da urina, choro sem lágrimas, etc.), prostração ou mudança de cor da secreção nasal (coloração amarela ou esverdeada).

Embora existam testes laboratoriais que permitam confirmar o diagnóstico de gripe (isolamento do vírus e identificação do genoma viral), este é feito essencialmente com base nos sintomas (quando o diagnóstico é baseado em sintomas designa-se por “síndroma gripal”).

É aconselhado repouso, uma boa alimentação e boa hidratação. A título de curiosidade vários estudos apontam a famosa “Canja de Galinha” como a refeição ideal numa gripe. Segundo alguns autores, a temperatura elevada do caldo aumenta o movimento dos cílios pulmonares (porção das células do trato respiratório responsáveis pelo movimento do muco) e, por consequente, o movimento do muco. Além disso, a canja possui cisteína, que torna o muco menos espesso e facilita a sua expulsão. A terapêutica e a vacinação serão abordadas posteriormente.

A gripe é responsável por ausências no trabalho e na escola, levando a perturbações sociais e económicas consideráveis. Estratégias de prevenção são importantes tendo em vista medidas de prevenção de custos (envolvendo saúde e economia). A gripe pode ainda tornar-se um sério problema de saúde pública, como testemunhamos há algum tempo atrás com a Gripe A.

Em Portugal existe um Sistema de Vigilância da Gripe, coordenado pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), sob coordenação da Direcção Geral de Saúde. O sistema consiste na recolha e processamento de dados de base clínica e laboratorial através da rede de médicos-sentinela e das Unidades de Urgência dos Hospitais e Centros de Saúde (semanalmente, à quinta-feira, é elaborado um Boletim de Vigilância Epidemiológica).

A OMS criou uma rede internacional de 112 centros de monitorização da gripe (Global Influenza Surveillance network), que colhe amostras de vírus com vista à identificação de diferentes estirpes em circulação. Com base nestes dados a OMS sugere, todos os anos em Fevereiro, a composição da vacina a ser produzida no ano seguinte.

domingo, 20 de novembro de 2011

Prescrição por DCI


A DCI – Denominação Comum Internacional – é a regra básica de nomenclatura para os fármacos com aplicação terapêutica. Desta forma, torna-se possível que um fármaco, independentemente do seu fabricante, seja conhecido internacionalmente por todos os utilizadores e, principalmente, pelos profissionais de saúde responsáveis pela sua prescrição, dispensa e administração. Assim sendo, a prescrição por DCI agiliza todo o processo relativo ao percurso do medicamento desde que é fabricado até ao seu consumo, evitando erros de prescrição (por sobreposição terapêutica, por exemplo, caso se usasse um fármaco em duplicado pelo facto de ser comercializado com nome diferente) e, possivelmente, nas gerações futuras, evitando a troca de medicamentos quanto à correcta utilização.

No entanto, a prescrição por DCI permite ao doente em regime de ambulatório que, no momento da compra do medicamento, possa optar por um medicamento de referência (ou de marca) ou um genérico.

Em virtude dos acontecimentos recentes sobre o assunto em questão, torna-se importante tornar claro vários pontos, nomeadamente a definição de medicamento genérico e todos os passos que são necessários para a sua introdução no mercado.

Deste modo, pode definir-se um medicamento genérico como sendo aquele que, fazendo uso da substância activa que se pretende, é fabricado tendo em conta todas as regras estabelecidas para a compatibilidade das substâncias usadas, como excipientes e fármaco, que tem composição quantitativa igual ao medicamento de referência e que, sendo este último ponto o de maior importância, cumpre todas as regras estabelecidas para que o medicamento se possa considerar bioequivalente relativamente ao medicamento de referência.

Apesar de isto ser evidente, é necessário, para compreensão da população geral, definir o que é a bioequivalência. A bioequivalência é a classificação atribuída a medicamentos que contêm a mesma dose da substância activa que se pretende administrar e que demostraram, em estudos farmacocinéticos, possuir um perfil semelhante quanto à cinética de absorção, distribuição, metabolização e excreção. Ou seja, a bioequivalência de um medicamento não põe em causa os efeitos terapêuticos esperados da substância activa usada. No limite, um medicamento genérico pode ser diferente do medicamento de referência por uma mudança de excipientes que, no entanto, como já foi referido, tem que cumprir todos os requisitos para que a bioequivalência seja demonstrada.

Mas fica a questão – “Porque são os genéricos mais baratos que o medicamento de referência?”. A resposta é simples. Tendo em conta que um novo fármaco demora cerca de 10 anos a ser desenvolvido (desde a descoberta da nova molécula, até aos estudos que comprovem a sua eficácia e segurança de utilização), torna-se quase evidente que, ao longo deste processo, são gastos milhões de euros. Assim sendo, quando o medicamento, na forma final, é colocado no mercado para comercialização é normal que tenha de ser comercializado a um preço que consiga compensar os custos associados à sua investigação, desenvolvimento e produção. É também importante referir que quando uma nova molécula é descoberta, procede-se ao seu registo numa patente, documento que “protege” a ideia durante um período de cerca de 20 anos. Durante o período em que a patente é válida, só o inventor da ideia original a pode colocar em prática. Expirado o prazo da patente, qualquer pessoa fica com acesso ao conhecimento relativo, neste caso, ao novo fármaco. O que acontece com os fármacos de referência é mesmo isto: depois de expirado o prazo da sua patente, qualquer indústria farmacêutica pode produzir um genérico, tendo por base a ideia original. Isto faz com que o produtor do genérico não tenha de gastar fundos na investigação e desenvolvimento do fármaco e apenas se possa concentrar na produção do medicamento, tornando-o, por este motivo, numa hipótese mais económica, já que não tem de reverter os fundos gastos.

Após o fabrico do medicamento, este tem de ser sujeito a diferentes testes antes de ser colocado à venda. Os testes incluem ensaios relativos à eficácia e segurança na utilização do medicamento, testes que comparam o comportamento do medicamento com aquilo que seria de esperar em termos de estabilidade físico-química e, principalmente, estudos reforçados sobre a biodisponibilidade do medicamento genérico que comprove que este é bioequivalente ao medicamento de referência. Após todo o processo de testes levado a cabo, os resultados finais são dirigidos à Agência Europeia do Medicamento e ao Infarmed (agências reguladoras do medicamento europeia e portuguesa, respectivamente) para que possam ser analisados. Caso os resultados sejam aceites, considerando o medicamento como bioequivalente, é concedida uma Autorização de Introdução no Mercado (AIM) que é o documento legal que possibilita a comercialização do novo produto.

Após esta breve análise, é possível observar-se que um medicamento genérico, se está disponível no mercado, é porque este cumpre todas as regras necessárias para a sua comercialização. É ainda importante referir não existe qualquer prova científica que demostre redução dos efeitos terapêuticos pretendidos dos fármacos em doentes que usaram o medicamento genérico, comparativamente ao medicamento de referência.

Para os mais receosos sobre a utilização dos genéricos, fica a informação de que o doente não é obrigado a optar pelos genéricos. A escolha deve ser feita em conjunto com o médico e/ou farmacêutico que, tendo como base as duas formulações disponíveis (genérico e medicamento de referência), devem optar pelo produto que for mais benéfico para o doente, seja tendo em vista recursos económicos, crenças pessoais ou até mesmo impossibilidade de administração de um dos medicamentos por perigo de reacções adversas, por parte do doente, quanto aos excipientes usados.

A nível geral, os genéricos apresentam uma arma poderosa para reduzir os custos com a saúde a nível nacional. Tendo em conta que existe uma alargada lista de medicamentos comparticipados pelo Estado Português, os genéricos apresentam-se como sendo uma alternativa de poupança pois, sabendo que os medicamentos são comparticipados tendo em conta valores percentuais sobre o seu preço de referência, torna-se óbvio que, sabendo que os medicamentos genéricos têm um preço de referência mais baixo, o dinheiro gasto para comparticipar a compra desses medicamentos será menor, ganhando o utente porque gastará menos recursos no seu tratamento e ganhando o Estado, por reduzir, significativamente, o seu custo com o Sistema Nacional de Saúde.

Este artigo de informação foi escrito tendo como base um documento de Esclarecimento emitido pelo Gabinete de Imprensa do Infarmed, disponível para consulta na seguinte hiperligação:
http://www.infarmed.pt/portal/page/portal/INFARMED/MAIS_NOVIDADES/DETALHE_NOVIDADE?itemid=5229283 (Consultado a 29 de outubro de 2011)

P'la Equipa de Ciências Farmacêuticas,
Eduardo Ferreira

domingo, 30 de outubro de 2011

Viver com saúde! Viver sem Tabaco!

A temática do tabaco tem estado presente no nosso quotidiano nos últimos tempos.
Sendo ou por razões de saúde (as que considero mais importantes!) ou razões económicas (Aumento de 2,2% no IVA) cada vez mais pessoas pensam em abandonar esse “vício legal” que afecta a nossa sociedade. A presente publicação serve de aconselhamento e incentivo à cessação tabágica e ao início de uma vida mais saudável e sem fumo.

Estudos recentes mostram que, cada vez mais, há fumadores ocasionais (fumam apenas socialmente) passando, mais tarde ou mais cedo, para fumadores activos. Por isso, se é uma pessoa que apenas fuma um cigarro de vez em quando e se orgulha de saber parar quando quer, acredite, mais vale parar de vez pois nunca se sabe o dia de amanhã…

Os custos de saúde, para a comunidade, de um doente com uma patologia associada ao tabaco, são imensos! Todos nós pagamos, através dos nossos impostos, para todos aqueles cujo tabaco prejudicou as suas vidas e acreditem, um simples cigarro pode fazer muita diferença!

As patologias que estão associadas ao tabaco são imensas, até porque um cigarro, mesmo o chamado light, tem cerca de 7000 substâncias das quais 69 são reconhecidas como cancerígenas! Das quais destaco não só as mais comummente relacionadas, no caso, o cancro dos pulmões e doenças obstrutivas das vias respiratórias, mas também outras, como por exemplo, tumor da laringe, tumor da faringe e enfarte do miocárdio!


Muitos mitos navegam em torno do acto de fumar:
1) Fumar acalma!? Resposta: Mentira, A Nicotina provoca Ansiedade!
2) Quando paro de fumar parece que respiro pior… Resposta: Verdade, mas é um estado através do qual todos têm que passar, para que, os pulmões tentem voltar a estar “saudáveis” (ponho entre aspas porque um pulmão de um fumador nunca vais voltar a ser um pulmão completamente saudável)

Quer deixar de fumar? Parabéns pela sua decisão! Vem de si a principal cura, a sua força de vontade! Deixo, desde já, opções para complementar a sua viagem para uma vida saudável:


Terapia de Substituição de Nicotina

- Gomas/ Pastilhas: Administração por via bucal, sendo dissolvidas na boca. O número de gomas/pastilhas consumidas por dia vai depender muito do grau de dependência. (Medicamento Não Sujeito a Receita Médica)
- Adesivo Transdérmico: Aplicar numa zona da pele limpa e seca. Existem adesivos de 12h e de 24h. (Medicamento Não Sujeito a Receita Médica)
- Comprimidos Sublinguais: O número de comprimidos consumidos por dia vai depender muito do grau de dependência não excedendo os 15 comprimidos. Existem duas doses administradas de acordo com o grau de dependência do doente: 2mg para os pouco dependentes e 4mg para os muito dependentes. (Medicamento Sujeito a Receita Médica).



Para terminar apresento os 10 mandamentos do controlo do tabagismo facultado pela Fundação Portuguesa de Cardiologia:
1) Estime o seu coração, os seus vasos sanguíneos, o seu pulmão e o seu cérebro. Eles são únicos.

2) Não insista em alcatroar o seu sistema cardiovascular e as suas vias respiratórias, porque elas funcionam muito melhor “ao natural”.

3) O exercício físico regular demonstra-lhe a evidência de um melhor funcionamento do seu organismo ao ar puro e sempre que se encontra livre de fumo e poluição. Acredite nesta demonstração da natureza! Opte por uma actividade física saudável!

4) O cheiro do tabaco impregna o ambiente do fumador. Livre-se desse fumo de terceira mão!

5)As crianças e os demais agentes passivos de tabaco são vítimas do fumo ambiente. Não fume em casa, na viatura ou no bar. As pessoas que o rodeiam e que o amam não merecem ser assim maltratadas!

6) A grávida fumadora, ou exposta ao fumo do tabaco, prejudica a esperança de vida do seu bebé e aumenta os seus riscos à nascença e na infância.

7) O fumo do tabaco não acalma nem melhora o controlo do sistema nervoso.

8) O consumo do tabaco pode não parecer prejudicial para a saúde, mas consome as defesas do nosso organismo e determina a sua exaustação precoce.

9) O tabaco é um NARCÓTICO FORTE! Se não fuma NÃO Experimente!

10) A indústria tabaqueira alimenta-se do consumo dos seus fumadores e da sua saúde! Não seja instrumento do seu lucro!

O seu Farmacêutico poderá ajudá-lo com mais informação, mas também com orientação à sua medida. Procure numa farmácia próxima de si o serviço de Cessação Tabágica e comprometa-se com a sua SAÚDE! Nunca desista! E acima de tudo felicite-se todos os dias ao acordar por VIVER mais um dia sem esse mal que é o tabaco!


Equipa de Ciências Farmacêuticas,
Tiago Cairrão

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